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Comerciante tem material retirado à força da praça da matriz

Na manhã desta sexta-feira, dia 25 de agosto, a comerciante Vilma Coutinho, esposa do sr Geraldo, que vende sorvetes na praça da matriz em Lagoa da Prata, disse em entrevista à reportagem do Jornal O Papel que encontrou seu estabelecimento arrombado e deu falta de todo o material de trabalho, incluindo uma máquina de fabricar sorvetes, avaliada em R$ 12 mil.

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Segundo ela, a Prefeitura de Lagoa da Prata foi responsável pela abertura do cômodo, situado na praça e pela retirada do material. Entretanto, a medida teria sido tomada sem ordem judicial, segundo ela.

“Eu trabalho aqui na praça da matriz há trinta anos e hoje acordei com a notícia que a Prefeitura veio aqui, serrou as portas do meu comércio e levou tudo, nem sei onde está”, disse. Vilma contou que chamou a polícia, mas até o momento eles não haviam chegado (mais tarde, ainda durante a gravação da entrevista, chegou o Sargento Hamilton para fazer a ocorrência) e tentou acionar também a rádio.

Dona Vilma, chorando muito, diz que se sente injustiçada e não conseguiu ser atendida pelo prefeito em várias tentativas.

“Nem a polícia quis vir aqui fazer uma ocorrência, não apareceu, o Luiz Francisco eu falei com ele ontem e não colocou no ar, tá proibido de vir aqui, cê tá entendendo? É muita covardia o que a prefeitura fez. Eu tenho meu alvará aqui, você pode olhar, me multou em R$ 331,31 porque eu tô usando espaço público sem autorização. Tenho CNPJ, tem tudo. Agora eu te pergunto: isso é certo? A pessoa vir aqui, sem a minha autorização, sem uma ordem judicial e vir aqui serrar a porta do meu comércio e pegar uma coisa que é minha?”, relatou aos prantos.

Ela conta que houve também perda de produtos que derramaram no chão durante a ação de retirada do material e conta que chegou a colher assinaturas em um abaixo assinado para evitar que seu estabelecimento fosse retirado da praça.

“É muita covardia, sabe, eu tô muito magoada, muito triste, porque jamais esperava uma coisa dessas (…) fiz um abaixo assinado, em dois dias peguei mais de mil e quinhentas assinaturas, conversei até com o padre pra me ajudar, mas o prefeito foi irredutível, não quis saber”, desabafou.

Lei de uso de espaços públicos

Notificação enviada aos comerciantes da praça em Junho.

A polêmica começou com a notificação, pela prefeitura aos comerciantes, da desocupação da praça. De acordo com a prefeitura somente comerciantes ambulantes podem ocupar a praça, por não terem espaço fixo determinado em seus alvarás. Dona Vilma, entretanto, questiona uma situação semelhante de uma empresa da cidade que utiliza uma praça para comercializar seus produtos.

“Agora eu te pergunto, ali na praça da Embaré (praça Chico Silveira), tem uma casinha na praça. Ali pode ficar? Porque, eles são ricos? Tem trinta anos que eu fico aqui, não roubo, não faço nada, a única coisa que eu faço é trabalhar honestamente, agora eu te pergunto, isso é direito deles? Eles tem direito de arrombar minha casinha e tirar meus trem (sic)?”, continuou Vilma.

Segundo a comerciante, ela tentou por várias vezes conversar com o prefeito Paulo Teodoro sobre a situação, mas nunca foi recebida por ele.

“Ele não atende ninguém, tá em reunião, não está, é desse jeito. Mandou eu conversar com secretário, o secretário me tratou grosso, foi mal educado comigo, eu já tentei conversar com todo mundo, com todos, falei com o padre pra conversar com ele, o padre ficou com as cópias do abaixo assinado, tentou conversar, todo jeito eu tentei fazer, nada deu certo, nada”.

Ao final da gravação, a PM chegou para registrar o boletim de ocorrência.

Prefeitura anuncia demolição do cômodo em rede social

Na página da Prefeitura de Lagoa da Prata no Facebook, consta um anúncio de “continuidade do projeto de revitalização da praça da matriz”, onde é feita alusão à demolição do cômodo para construção de um coreto.

O editor do Jornal O Papel entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura e também postou uma mensagem na página para dar o devido direito de manifestação da administração municipal, caso tenham interesse.

Ouça, a seguir, a íntegra da entrevista com dona Vilma, que teve a participação também da repórter Rhaiane Carvalho, do Jornal Cidade.

 Luiz Francisco diz que matéria será levada ao ar

O jornalista Luiz Francisco, da Rádio Veredas, conversou com o editor do Jornal O Papel e disse que a reportagem será levada ao ar pela emissora. Ele negou que esteja proibido de divulgar a notícia.

O radialista Luiz Francisco disse que a matéria será veiculada e que não há qualquer censura pela rádio

“A entrevista estará indo ao ar hoje (25/08) como também a resposta da Anita (secretária municipal de obras da Prefeitura). Não houve nenhuma limitação, a não ser a hora que estava acontecendo o fato”, disse Luiz, que informou que durante a manhã esteve cobrindo a inauguração da horta suspensa da APAE.

“Não dei conta de cobrir todos os fatos ao mesmo tempo, mas aqui na rádio não tem essa questão de proibir não, não teve nenhuma proibição de falar dos fatos”, concluiu o radialista.

 

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Junior Nogueira

Junior Nogueira