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Editorial 18 de agosto: Venha a nós o vosso dinheiro (mais impostos)

Fracassou terrivelmente a tentativa do prefeito de criar um novo imposto para os estabelecimentos que utilizam as calçadas no exercício de suas atividades.

Pelo que os vereadores entenderam, penalizar o comerciante com a cobrança de mais impostos não resolve o problema. Aliás, já existe lei regulamentando o uso das calçadas e estabelecendo que do total, pelo menos dois metros de largura dos passeios devem ficar livres para o trânsito de pedestres. Basta fazer cumprir a lei, basta fiscalizar, esse foi o entendimento da maioria.

A derrota do projeto na Câmara expôs a fraqueza que está minando a relação da atual administração com a comunidade. Sua incapacidade de parlamentar. Os projetos são encaminhados sem qualquer articulação, sem explicação à comunidade e com caráter de imposição. Prova disso que o principal vereador da base de apoio puxou a votação contra a proposta do prefeito.

Nem mesmo à imprensa (à exceção de quando convém promover alguma conquista ou pessoa da administração) o chefe do executivo dá satisfações. Fechou-se em seu gabinete e ignora a opinião pública, como se seus atos e as consequências deles fossem apenas da sua conta.

Talvez esse seja o reflexo do grande mal que significa a reeleição, no argumento dos que são contrários a esse processo.

Na fritada dos ovos, Paulo Teodoro está ruindo as esperanças de fazer seu sucessor e complicando a vida dos vereadores da base que lhe dão apoio. Afinal, como dar sustentação a atitudes que sugerem um modo ditatorial de governar? Em tempos de crise, a solução para resolver o problema é criar mais impostos em vez de fazer funcionar a fiscalização?

O grande problema de quem não se comunica é permitir que as pessoas – carentes de ouvir o que o prefeito tem a dizer sobre os assuntos que influenciam diretamente na vida da comunidade, tenham que imaginar por conta própria quais são suas intenções.

O ditado popular que ilustra a imprevisibilidade clássica e jocosa do que se pode encontrar em uma bolsa de mulher agora se estende à cabeça do prefeito. Nunca se sabe o que tem lá.

E o motivo é que ele não quer contar.

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Junior Nogueira

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