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Editorial: Telecatch na internet

A atual Câmara Municipal tem mostrado um grande empenho em discutir e analisar os projetos que passam pela casa. Os vereadores tem ganhado expressão e reconhecimento, especialmente porque uma nova ferramenta tem ajudado muito a divulgar o que acontece dentro e fora da nossa casa legislativa: a internet.

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Comportamento lançado pelo ex-vereador Di Gianne, o costume de levar a informação aos eleitores através de publicações em redes sociais ganhou a atenção e o gosto dos edis, que encontram nas mídias eletrônicas uma forma de estar mais perto do seu público e disseminar suas ideias e seu trabalho.

Nesta semana, entretanto, a prática demonstrou ser tão eficiente quanto perigosa. Depois de derrotado na casa um projeto que versava sobre a permuta de terrenos entre a prefeitura e um empresário da cidade, a discussão se estendeu pelo Facebook, assumindo ares de denúncia e envolvendo o público numa grande polêmica em que sobram acusações e faltam esclarecimentos.

Não entraremos aqui no mérito da questão, para que o leitor entenda o caso e forme sua opinião, dissecamos o assunto em uma extensa matéria de três páginas nessa edição (clique aqui para ler).

Aqui, porem, queremos analisar a utilidade que essa exposição promove aos poderes constituídos, à mídia e como chega à população. Assuntos de grande relevância devem sim ser debatidos com a maior transparência possível em todos os meios de comunicação. Mas o que se viu nesse caso foi um alerta tardio. Afinal, antes da votação pouco se falou sobre o projeto. Não se deu chance aos eleitores de conhecer o seu teor e opinar pelo seu destino. A não ser por um post da vereadora Cida, chamando a população para comparecer à câmara, nada mais se ventilou sobre o projeto em questão até a sua votação.

Depois do leite derramado, correram os vereadores a bombardear a opinião pública com declarações e postagens, cada grupo defendendo o seu peixe, evidentemente.

Insistimos que a discussão e a visibilidade dos assuntos tratados no legislativo são importantíssimos, mas são mais úteis se forem feitos de forma sensata e proativa. Os projetos e proposições tem de ser levados ao conhecimento do público ANTES DE SEREM VOTADOS. Só assim a população pode de fato ter alguma influência no resultado, manifestando aos seus vereadores o que pensa e o que entende.

Quer um exemplo? O Prefeito pretende mudar o regime jurídico dos servidores municipais, do celetista para o estatutário. A mudança tem impacto direto nas contas públicas, nos processos trabalhistas e na relação de trabalho dos funcionários públicos do município. É um assunto delicado, polêmico e importante para ser tratado com muito critério e com bastante antecedência. Mas ninguém está falando sobre isso. Não se divulgou o projeto, não se conhece seu teor nem seus potenciais efeitos. Até agora somente o judiciário se posicionou junto aos vereadores. Mas nem prefeitura (que aliás tem evitado falar sobre questões polêmicas) nem câmara estão tratando de esclarecer o assunto para a população.

Sem esse cuidado de permitir ao povo conhecer e opinar sobre os projetos que serão deliberados, antes das votações, correr para a internet para reclamar e denunciar, depois de batido o martelo, sugere mais vontade de aparecer e politicar que de fato, representar seu eleitorado.

E infelizmente, nossa sociedade está se acostumando a ver mais espetáculos midiáticos que verdadeira vontade de fazer o bem comum sem se preocupar com a propaganda.

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