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Manifestação na porta da prefeitura

Pais de alunos protestam contra fechamento de escola e creche em LP

Pais de alunos da creche Tia Elvira e da Escola João Fernandes se reuniram na tarde desta terça-feira, 20 em frente à prefeitura de Lagoa da Prata, para manifestarem contra o fechamento das unidades e tentar serem recebidos pelo prefeito Paulo Teodoro.

Com cartazes pedindo a manutenção das unidades e até um caixão infantil, simbolizando a “morte” da creche, os manifestantes entoaram coros criticando a administração municipal.

Escola e creche

A escola municipal João Fernandes, no bairro Sol Nascente, será transformada em creche. De acordo com a Secretaria de Educação, a demanda estava baixa, com média de pouco mais de dez alunos por sala de aula. A notícia não agradou os pais, que terão que procurar outras unidades para matricular seus filhos em 2017.

Quanto à creche Tia Elvira, a instituição corre o risco de fechar as portas se não receber o repasse da subvenção social que o município transfere à entidade. Em 2016 esse valor foi próximo de R$ 330 mil e a direção da creche pleiteava um aumento em torno de treze por cento. Com a mudança na legislação que versa sobre os repasses a entidades, a Tia Elvira corre o risco de perder o recurso. “Agora, a subvenção não poderá ser repassada para uma entidade que presta serviços contínuos. A nova lei não nos permite passar recursos para a Creche Tia Elvira da maneira como era antes”, explicou a Secretária Paulene Andrade, em recente entrevista ao Jornal O Papel.  A lei que ficou conhecida como “Lei do Chamamento Público” estabelece uma espécie de licitação, onde as instituições que possam prestar o serviço concorrem entre si pelo recurso.

Pais protestam contra as mudanças

Dezenas de pais de alunos das duas instituições se reuniram em frente à prefeitura. Alguns fizeram questão de evidenciar sua indignação com a situação:

Marcela, do Sol Nascente: “conversa eu acho que não tem”

“Ele (prefeito) tá fechando a escolinha lá (João Fernandes) e nós não tem (sic) onde levar nossos meninos. Eles marcou uma reunião pra nós na escola, ela (a secretária de educação) falou o que quis e hora que chegou a hora dela responder nós (sic) ela foi embora, deu a reunião como encerrada”,  reclama Marcela Costa, 35, do lar, moradora do Sol Nascente, que alegou não ter esperança no diálogo. “Conversa eu acho que não tem porque ele (prefeito) já falou que vai fechar, nós ta (sic) lutando pra não fechar porque nós não tem (sic) pra onde levar nossos meninos, tudo pequenininho”, disse.

 

Outra mãe, Alessandra Eustáquia, 25, promotora de vendas, também moradora do bairro Sol Nascente, disse que os pais queriam conversar com o chefe do Executivo.

Alessandra, tambem do Sol Nascente:”a gente queria que o prefeito ouvisse a gente”,

“A gente quer lutar pelo direito das nossas crianças. A gente acha uma falta de consideração o que o prefeito está fazendo porque ele fechou a escola já no final do ano, a gente não está conseguindo vagas em outras escolas (…) a gente tá aqui pra lutar pelo nosso direito, a gente queria que o prefeito ouvisse a gente, olhasse pela necessidade do bairro”.

Segundo ela, a alternativa para os moradores é procurar vagas em outras escolas, mas ela alega que está encontrando dificuldades. “Eles publicaram pra gente procurar a escola mais próxima de casa, mas eu sou moradora do Sol Nascente, a escola mais próxima é o Monsenhor e lá não há vagas. Não procurei escola em outros lugares porque eu não tenho condições de pagar a van escolar pros meus meninos”, desabafou.

 

Já para a dona de casa Kelly, moradora do bairro Gomes, a questão também tem reflexos políticos.

Kelly, do bairro Gomes: “Não estou aqui só como mãe, mas como eleitora dele”

“Eu vim aqui pra cobrar porque eu votei nele, eu confiei nele e ele me decepcionou, não é justo isso que ele está fazendo. Eu não estou aqui só como mãe, mas como eleitora dele que eu votei nele e acreditei no que ele falou e agora eu posso cobrar, é uma vergonha o que ele está fazendo com a gente”, declarou.

Roberto diz que crianças não ficarão desamparadas

O vice-prefeito Ismar Roberto estava na prefeitura na hora da manifestação. Ele falou ao repórter Thiago Martins, da rádio Tropical sobre a questão:

“Já foi bem discutido já, o prefeito já tem a posição dele”, afirmou. Roberto insistiu que as crianças não ficarão desamparadas.

“Eu acho que tem que consultar a secretária de educação, já foi muito bem discutido com os alunos, com as mães, com a direção da escola, não é a prefeitura que está fechando escola, não vai ficar nenhum aluno sem escola, podem ficar despreocupados”, concluiu.

Na segunda-feira, 19, a Secretaria de Educação veiculou uma nota (veja no destaque), informando que os pais de alunos da creche Tia Elvira deverão procurar a Secretaria, até esta quarta, 21 de dezembro, para efetivar a matrícula para 2017. A nota frisa que não haverá nenhum custo ou mensalidade para os alunos.

Nota da Secretaria de Educação comunicando aos pais sobre as matrículas para 2017

Por volta de seis horas da tarde os manifestantes se dispersaram, sem serem recebidos por nenhuma autoridade na prefeitura. A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da prefeitura, mas ainda não obteve resposta.


Caixão infantil simbolizando a “morte” da creche puxou a passeata que saiu da creche,no bairro Américo Silva, até a porta da Prefeitura, nesta terça.

 

Pais de alunos da escola João Fernandes protestaram contra a transformação da unidade em creche no bairro Sol Nascente e se uniram ao movimento da Tia Elvira.

Os manifestantes permaneceram em frente a prefeitura, até que o prédio fosse fechado, sem conseguir falar com o prefeito Paulo Teodoro.

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