Editorial

O teatro do impeachment

A razão pela qual o congresso quer destituir do cargo a presidente Dilma pouco tem a haver com as pedaladas fiscais. Apesar de poder constituir crime de responsabilidade, o que deixaremos para as autoridades competentes tratarem, o motivo real do processo de impeachment não é esse. É tudo política. É tudo faz de conta. Assim como tem sido o processo democrático no Brasil nas últimas décadas. Tancredo Neves seria o salvador da pátria, Collor o caçador de marajás, Lula o povo no poder, Dilma acabaria com a miséria, e por aí vai.

O brasileiro é um povo acostumado a novelas. Seja na televisão ou na vida real, quer sempre um acontecimento impactante para se sobrepor ao escândalo da semana passada. Um tipo de Big Brother interminável, onde temos de um lado atuando a classe política, de outro assistindo a população e no meio a mídia.  Não estou defendendo o governo, até porque o volume de denúncias de corrupção já seria mais que suficiente para ensejar uma troca, mas como a constituição não permite o impeachment sem crime de responsabilidade, a oposição pegou o gancho e lá se vai a debater se o governo tomou ou não emprestado o dinheiro dos programas sociais.

E os governistas se agarram ao argumento do golpe. Antes fosse. Bem poderia o povo tomar o poder, esvaziar o congresso e instituir comissões formadas por técnicos para dirigir o país. Em vez disso, aceitamos ser roubados e extorquidos por pesadas cargas de impostos de toda sorte, custeamos vida boa para os verdadeiros marajás que são os políticos e nos satisfazemos com a sucessão de eventos midiáticos protagonizados por aqueles que só querem uma coisa: tomar o poder. Então é isso, todo mundo finge que está fazendo a coisa certa, pelo menos enquanto está sob os holofotes da mídia. Notaram alguma diferença de postura nas conversas grampeadas com o discurso oficial? 😉

Vivemos ou não no país do faz de conta?

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Junior Nogueira

Junior Nogueira