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Professor luta para evitar fechamento de escola federal em LP

O professor e advogado Otaviano de Oliveira protagonizou uma cena marcante na reunião da Câmara de vereadores da última segunda, dia 17. Ele utilizou a palavra livre para pedir o apoio as autoridades legislativas para evitar o fechamento da unidade do IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais) instalada em Lagoa da Prata.

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Em determinado momento, ele se ajoelhou no plenário e clamou aos edis que não deixem a escola fechar.

 “Eu fui à Câmara dos vereadores pedir a ajuda deles. Tem um Cristo lá na sala e eu me ajoelhei diante dele e fiz um pedido aos vereadores, para não permitirem que a escola feche”, explicou.

A imagem – capturada pelo repórter Ricardo Freitas, circulou pelas redes sociais causando grande repercussão.

Advogado cobra promessa do prefeito feita durante as eleições

Fundador do Colégio Monsenhor Otaviano, que mais tarde tornou-se Virgínio Perilo, dr Otaviano milita na educação há décadas, sendo considerado uma referência na educação de Lagoa da Prata. Ex-chefe do setor de agricultura do prefeito Paulo Teodoro em seu primeiro mandato, teve atuação decisiva para a conquista da então chamada “federal de Lagoa da Prata”. Hoje dissidente da administração municipal, conta que apoiou a reeleição pela promessa de criação da escola rural.

“Eu apoiei o prefeito na campanha sim, porque ele assumiu comigo o compromisso de viabilizar a escola para Lagoa da Prata. Não por causa de cargos ou salários, que eu não preciso. Mas depois das eleições ele simplesmente parou de me atender”, conta.

“O Prefeito não me acata, o vice-prefeito, por maior boa vontade que tenha, não tem poder pra isso, então eu fui aos vereadores. E eles, todos me receberam muito bem, sem qualquer conotação política”, discorre o advogado.

A falta de divulgação dos cursos pela prefeitura, segundo ele, foi responsável por desmotivar a procura e encerrar o funcionamento da instituição. Inicialmente, a unidade de Lagoa da Prata oferecia capacitação técnica nas áreas de laticínios, cana-de-açúcar, designer e eletromecânica. Para continuação e ampliação do interesse, ele sugere a criação de uma escola agrícola, com laboratórios para aulas práticas.

“É preciso um terreno para abrigar a escola e possibilitar as aulas práticas, como o manejo de culturas e rebanhos, para estimular os alunos”, explica.

Dr Otaviano conta que também procurou a Associação Comercial para expor a situação, na esperança de que a sociedade possa se mobilizar para adquirir o terreno rural, onde seria instalada a escola técnica do IFMG. Quanto aos políticos, dr Otaviano se mostra indignado com a inércia e o desinteresse:

“Até hoje o que o Tiago (Ulisses) fez, assim como o prefeito? Nada!”, desabafa.

Entrevista completa sobre o assunto com o professor Otaviano de Oliveira será veiculada pela Rádio Tropical, no Jornal Integração, ao meio dia desta segunda-feira, dia 24 de Julho.

Falta de pagamento foi responsável por desestruturar o projeto, diz secretária

A secretária também lamenta a interrupção dos cursos. Foto: acervo pessoal.

Segundo a Secretária Municipal de Educação, Paulene Andrade, os cursos funcionaram bem no primeiro ano, mas decaíram em função da inadimplência do governo federal com os professores.

“A implantação do Instituto Federal foi a realização de um sonho. Inúmeras vezes fomos a BH, Formiga e Bambuí, naquele maior entusiasmo, lutando por esse projeto. Eu, Janaína, Toninho Sampaio e Dr Otaviano. Com apoio do deputado Reginaldo Lopes, nós inauguramos o IFMG em Lagoa”, lembra Paulene.

“No primeiro ano foi tudo bem, mas depois os alunos foram saindo, o governo federal não pagava os salários dos professores e nem mantinha o custeio dos alunos. Eu cheguei a comprar material para o curso de alimentos com meu próprio dinheiro”, revela. “Fizemos tudo o que pudemos mas infelizmente o governo não assumiu a parte dele”, conta a secretária.

De acordo com Paulene, as demais unidades também enfrentaram esse problema, à exceção de Bambuí, por ser polo do instituto.

 

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