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Protesto fechará a ponte nesta sexta

Encabeçado pela ACASF – Associação dos Canavieiros do Alto São Francisco, um movimento de protesto contra a paralisação das obras na ponte de concreto sobre o Rio São Francisco pretende fechar o acesso à ponte Olegário Maciel nesta sexta-feira, dia 11 de novembro. A ação é apoiada pelas cooperativas de leite Cooesteios, CALP, Cooperprata, pela Crediprata e pelo Sindicato Rural de Lagoa da Prata.

Segundo os organizadores, o movimento pretende concentrar pessoas nos dois lados da ponte de concreto e impedir o trânsito na ponte de ferro, a partir das oito horas da manhã até o meio dia desta sexta. A principal reclamação dos usuários do trecho, que liga Lagoa da Prata a Luz, é a súbita paralisação das obras de conclusão da ponte de concreto, que tinha previsão de trinta dias para ser entregue.

Falta de pagamento

De acordo com a nota de repúdio divulgada pela Acasf, e também segundo funcionários da Cowan – empresa responsável pelas obras, o motivo da paralisação é a falta de repasses do governo do estado à construtora. Existe ainda uma versão de que a inadimplência teria a ver com pendências da empresa, oriundas da queda de um viaduto em Belo Horizonte, na época da Copa do Mundo.

Nossa reportagem tentou contato com a Cowan. No escritório de Lagoa da Prata, fomos informados que o engenheiro responsável, Pedro, encontrava-se viajando e que somente em BH poderia alguém falar a respeito. No escritório da empresa em Belo Horizonte, a atendente transferiu a ligação para um ramal que apenas chama, mas ninguém atende. Tentamos contato pelo site e por e-mail. Até o fechamento dessa edição não recebemos retorno.

 

Presidente da Acasf diz que população está sendo feita de idiota pelos políticos

Gustavo: “Chega um ponto que o absurdo joga ao nosso favor”.

Gustavo: “Chega um ponto que o absurdo joga ao nosso favor”.

O presidente da entidade que encabeça o movimento pela ponte acredita que está faltando participação dos políticos na defesa dos interesses da comunidade. Gustavo de Carvalho concedeu uma entrevista ao editor do Jornal O Papel, Junior Nogueira, esta semana, reforçando que não é somente as indústrias que estão sendo prejudicadas.

“Como presidente da ACASF nos preocupa a situação dos associados. Não só pelo negócio da cana, pois na verdade a maioria são arrendatários e a Biosev ou a Total é que tem responsabilidade pela retirada da cana. Independente disto temos uma visão maior. De parceria. Se elas, as indústrias têm dificuldade, principalmente ligada a logística, alguns terrenos podem ter perda de interesse e ela começar a não renovar os contratos. Estrada e escoamento da produção são itens de peso durante o processo de decisão em plantar ou não cana para indústria”, afirma. Gustavo lembra que a dificuldade de travessia afeta também a população em questões como saúde e comércio.

“Muitos produtores parceiros na cana continuam em suas propriedades desenvolvendo atividades paralelas e precisam da ponte. Fora os interesses em outros nichos de mercado, como o leite, gado de corte, principalmente. O comércio e até mesmo a saúde das pessoas. Muitos moradores de Esteios buscam atendimento em Lagoa da Prata”, complementa.

Sobre a atuação dos políticos, Gustavo é incisivo e cobra dos representantes regionais e tece duras críticas ao governo do estado.

“Não é fácil Junior. Mas o certo é que não podemos desistir deles (os políticos). Desistir é entregar de mão beijada tudo o que temos e somos. (…) Eles realmente tem a certeza de que somos idiotas. Precisamos mudar esta percepção. E acho que estamos mudando. É lento mas sinto que vamos virar o jogo. Chega um ponto que o absurdo joga ao nosso favor. Regionalmente, sinto o prefeito de Luz mais engajado que o de Lagoa da Prata. E espero poder contar com ambos nesta nova fase de reivindicações. Vamos ver”.

Uma novela sem fim

As obras na ponte de concreto haviam sido retomadas no final de setembro. A pista de rolamento está quase concluída e já está possibilitando a travessia, mas de acordo com funcionários que estavam no local, ainda faltam duas lajes onde hoje existe um aterro. Até outubro estavam 36 funcionários trabalhando na obra, que paralisaram suas atividades na última semana. A história da ponte de concreto envolve paralisações e retomadas frequentes. Estima-se que reste apenas os guard rails (proteções laterais) e as defensas metálicas que antecedem a ponte para liberação do tráfego. Contudo, o trânsito permanece interditado sem previsão de quando a obra irá terminar (veja o quadro com a cronologia dos acontecimentos).

Vereador eleito defende atuação dos deputados

Vereador eleito defende envolvimento dos deputados

Vereador eleito defende envolvimento dos deputados

O vereador eleito Elias Isaías (foto) ocupou a tribuna da Câmara Municipal na última segunda-feira, dia 07 de novembro, para protestar contra a paralisação das obras na ponte.

“O caso da ponte do rio São Francisco está se tornando uma novela. O pessoal tá usando a ponte do coqueiro, que é uma ponte privada da Biosev, e agora que começam as chuvas essa ponte é desativada, vai ocorrer um grande transtorno, porque o pessoal depende dessa ponte, já que a ponte de ferro foi rebaixada e nem van passa mais. O pessoal vai ter que dar uma volta de mais de 100 Km para chegar a Lagoa da Prata ou ir a Luz”, declarou à reportagem. Elias defende uma mobilização da classe política em favor do término da ponte.

“A proposta que eu fiz é que cada vereador procurasse seu deputado, nós vamos fazer um registro da situação, para que cada deputado olhasse por Lagoa da Prata. Está faltando pouca coisa lá pra terminar a ponte e não pode ficar desse jeito”, conclui.

Alguns capítulos da novela

A ponte de ferro caiu em 12 de dezembro de 2014, quando um caminhão carregado de pedras, a serviço da Cowan, tentou atravessar com sobrepeso. A passagem ficou impedida por mais de três meses, obrigando os veículos a darem a volta pela BR 262.

A ponte de ferro caiu em 12 de dezembro de 2014, quando um caminhão carregado de pedras, a serviço da Cowan, tentou atravessar com sobrepeso. A passagem ficou impedida por mais de três meses, obrigando os veículos a darem a volta pela BR 262.

 

Ela foi reformada em 21 de março de 2015 por uma parceria entre Embaré (que forneceu a madeira), Biosev (mão de obra) e Prefeitura de Luz (que cedeu parte do material e intercedeu junto à justiça para conseguir a liberação da intervenção).

Ela foi reformada em 21 de março de 2015 por uma parceria entre Embaré (que forneceu a madeira), Biosev (mão de obra) e Prefeitura de Luz (que cedeu parte do material e intercedeu junto à justiça para conseguir a liberação da intervenção).

 No dia 14 de janeiro de 2016, a ponte Olegário Maciel foi interditada pela prefeitura de Lagoa da Prata, que alegou que a ponte estava correndo risco de desabamento.


No dia 14 de janeiro de 2016, a ponte Olegário Maciel foi interditada pela prefeitura de Lagoa da Prata, que alegou que a ponte estava correndo risco de desabamento.

Em 11 de abril o vice-prefeito Ismar Roberto – em companhia do deputado Newton Cardoso Jr, vai até o secretário de estado de transporte e obras públicas, Murilo Valadares, cobrar uma decisão sobre a ponte. Ele volta com uma promessa de definição da situação em oito dias.

Em 11 de abril o vice-prefeito Ismar Roberto – em companhia do deputado Newton Cardoso Jr, vai até o secretário de estado de transporte e obras públicas, Murilo Valadares, cobrar uma decisão sobre a ponte. Ele volta com uma promessa de definição da situação em oito dias.

Em setembro de 2016 as obras são retomadas por um grupo de 36 operários.

Em setembro de 2016 as obras são retomadas por um grupo de 36 operários.

 

Em novembro, faltando pouca coisa, as obras são novamente paralisadas por falta de pagamento à empreiteira.

Em novembro, faltando pouca coisa, as obras são novamente paralisadas por falta de pagamento à empreiteira.

Usuários do trecho sofrem com poeira, barro e risco de assaltos

 

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“Utilizo bastante esse caminho. Quando chove vira barro puro, fica intransitável, não tem como passar. Olha a buraqueira que está essa ponte… E na época da poeira é outro transtorno. A gente não imaginava que ia demorar tanto essa ponte terminar, pra gente que passa aqui direto seria bom demais, mas pelo jeito que a coisa vai, parece que ainda vai demorar muito tempo”. José Celso Garcia Duarte, fiscal de tráfego.

 

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“Passo aqui todos os dias, porque trabalho em Luz, tenho que ir e voltar todo dia. Quando chove o transtorno é grande. Às vezes fica vários dias sem chover, e quando chove o volume de barro é muito grande. Tem que dar muita sorte para passar. Teve uma vez que eu custei a atravessar e muita gente ficou agarrada. A partir daí eu comecei a dar a volta pela BR 262. Outro problema que tem é o risco de assalto. Pra mim já era pra ter concluído. Desde criança eles sempre falavam que ia sair o asfalto, agora que asfaltou não termina a ponte. A gente fica torcendo pra obra terminar depressa, que vai ajudar muita gente, fora que tem o risco de ser assaltado. Esses dias mesmo quando eu passei, por questão de dez minutos, o rapaz que vinha trás de mim foi assaltado”. Welington Aparecido Gama, bancário.

 

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Junior Nogueira

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