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Reunião sobre segurança mobiliza sociedade

Aumento da Guarda Municipal e municipalização do trânsito são medidas urgentes em pauta

A Associação Comercial e Empresarial – ACE de Lagoa da Prata, reuniu na noite desta terça-feira, dia 25 de abril, diversas autoridades e lideranças comunitárias para discutir a situação da segurança pública no município.

Estiveram presentes no encontro, que aconteceu na sede da ACE, o vice-prefeito Ismar Roberto de Araujo, o Sargento Washington Felipe da Polícia MIlitar, a gerente da CEF Avelina Ferreira, representando o Consep (Conselho Comunitário de Segurança Pública) junto com o comerciante Roberto Amaral, a vereadora Quelli Couto, o vereador Elias Izaías, o advogado Ailton Silva, representando a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Lagoa da Prata), o comandante da GCM (Guarda Civil Municipal) Emerson Santos, o delegado de Polícia Civil Alisson Henrique, o diretor da Crediprata, Antonio Claret, empresários, diretores dos jornais O Papel, Jornal Cidade, Conexão, Rádio Tropical, lojistas, guardas municipais e convidados.

O prefeito Paulo Teodoro não compareceu à reunião.

O presidente da ACE-CDL, Paulo Pereira, disse que é preciso dar prioridade à segurança pública.

Tá fácil entrar em qualquer estabelecimento aí, roubar e se for o caso, matar. Nós defendemos um efetivo da Guarda Municipal para combater o crime de pequena monta”, afirmou. “A gente sabe da incapacidade em termos de estrutura”, referindo-se à PM e PC. “A gente quer unir as pessoas que estão aqui, a gente precisa de um debate sério, de consenso (…) Ficar só no campo das ideias não vai adiantar”, desabafou.

O vice prefeito Ismar Roberto disse que as pessoas precisam deixar de lado a vaidade e trabalhar em conjunto. “já fui vítima de assalto várias vezes e por incrível que pareça não está ficando só na cidade não. Eu fui vítima, estiveram lá no meu sítio e levaram tudo há uns quinze dias”, revelou . “Infelizmente não precisa contar com o estado, o estado está falido, nós temos corrido atrás, a prefeitura não está de braços cruzados, tentamos buscar recursos lá fora, a gente vem com uma notícia animadora e de repente vai tudo por água abaixo”, comentou Roberto.

Temos que unir forças mesmo, só assim que poderemos resolver. Estamos vivendo uma situação de insegurança em Lagoa da Prata que está difícil (…) Tenho visto que hoje, os jovens estão fazendo preferência por emprego pelas drogas. Um tanto de aviãozinho que tem por aí, eu não sei como vai ser, a gente está aqui para discutir isso, não vai ser fácil encontrar um caminho mas a gente tem que trabalhar (…) Todos nós somos vítimas, todos nós temos que trabalhar nesse sentido”, concluiu.

 

O delegado Alisson Henrique disse que todos estão se sentindo inseguros. “O Brasil está de cabeça para baixo em todos os sentidos, nós temos que fazer o nosso trabalho aqui na cidade já que o estado infelizmente não nos acoberta com a segurança que a cidade precisa”, disse.

 

Menores e o crack

O comandante da Guarda Emerson Santos disse que a preocupação maior é com o menor de idade que usa crack e assalta as casas. “É nesses pequenos delitos mesmo. Nós somos um órgão executor, pra isso nós precisamos de mais pessoas e precisamos estar armados (…) É importante entender que a situação é drástica e nós precisamos ser fortes nesse momento. Nós temos que atuar 24 horas e principalmente nesses pequenos crimes”, disse. Emerson insistiu que a instituição precisa de reforço em efetivo e equipamentos.

Agora vamos combater como? A guarda faz muito hoje com o que tem. A hora que tiver um contingente maior e armado, eu garanto a vocês que a situação melhora, a exemplo do que foi feito em Belo Horizonte”, comentou.

 

A representante do Consep, Avelina Ferreira, defendeu a elaboração de um planejamento estratégico para atacar o problema, principalmente na prevenção. Ela sugeriu medidas como escola em tempo integral, oferta de cursos profissionalizantes, intensificação do programa jovem aprendiz. “Nós precisamos realmente de ações reativas mas os empresários precisam pensar em ações de defesa”, afirmou. Ela acredita que medidas de proteção nos estabelecimentos são eficazes para prevenir principalmente perda de vidas.

Não adianta enfrentar, depois que aconteceu acabou. A orientação que a gente tem é de não reagir, porque pode alguém morrer. A gente precisa pensar em todas essas situações (…) Se a gente pensar também que sempre que acontece um ataque, a gente está desenvolvendo outras ações para coibir… Nós empresários e cidadãos temos que estar todos os dias atentos”.

 

A vereadora Quelli Couto disse que “a responsabilidade não é só do poder público, mas é de todos nós”. Ela relatou a visita que os vereadores fizeram ao secretário de estado de segurança.

Estivemos dia 12 na cidade administrativa com uma grande comitiva buscando soluções para a questão da segurança pública em nosso município. Fomos recebidos por várias autoridades lá, obtivemos informações importantes sobre estatísticas. Durante três horas de reunião conversamos muito e foram elencadas várias propostas”, conta.

O aumento do efetivo, envio de novas viaturas, fortaleceu-se o vínculo do judiciário com o secretário de segurança”, disse a vereadora, que citou a dificuldade do estado em criar vagas para internação de menores infratores. Segundo Quelli, houve uma proposta de se construir uma sede integrada para as policiais e corpo de bombeiros.

A parlamentar insistiu na importância da prevenção, desde a escola integral até projetos voltados para os adolescentes. Reforçou a ideia do planejamento, através da criação de um plano de segurança pública. “São medidas que podem ser tomadas de imediato, e algumas com o tempo”, complementou.

 

O vereador Elias Izaías citou a letra de uma canção dos Engenheiros do Havai, “você precisa de alguém que te dê segurança, senão você dança” para ilustrar o clima de incerteza vivido pela comunidade. Segundo ele, “o governo não está conseguindo restituir os impostos na forma de educação, segurança, etc.

Já é provado que o governo estadual não consegue prover a segurança, que é uma coisa crítica não só em Lagoa da Prata mas no Brasil. Essa questão de partidarismo tem que acabar, nosso partido tem que ser Lagoa da Prata”, afirmou.

O advogado Ailton Silva, representante da OAB, disse que há um problema local com a segurança.  “Não é exclusivo nosso, mas é crescente. Por mais que nós tentamos resolver ele vai sempre aumentar”, afirmou. O advogado disse que houve uma mudança nos crimes cometidos há algumas décadas, especialmente em função do tráfico de drogas. “Homicídios, os passionais hoje praticamente não existem, oitenta noventa por cento dos crimes são por causa do tráfico de drogas”, explicou.

O empresário Marcio Bento disse que o secretário de segurança pública do estado afirmou que noventa por cento dos crimes cometidos em Lagoa da Prata são praticados por menores recorrentes. “A gente precisa que tenha um local para apreender esses menores. O secretário liberou dez vagas”, referindo-se à necessidade de internação de menores que cometem crimes (geralmente mais graves como homicídio ou sendo reincidentes).

 

Paulo Pereira, presidente da ACE: “Ficar só no campo das ideias não vai adiantar”

 

Ismar Roberto, vice-prefeito de LP: “Não vai ser fácil encontrar um caminho mas a gente tem que trabalhar”

Ações sugeridas

O debate continuou com a participação da plateia, que fez diversos questionamentos e ofereceu algumas sugestões interessantes, como o uso de um aplicativo de celular para denunciar pessoas em atitude suspeita.

O presidente da ACE exibiu no telão algumas ações pensadas para atacar o problema da segurança em Lagoa da Prata. Entre os pontos mais importantes, figura o aumento do efetivo da Guarda e a municipalização do trânsito. A instituição sugeriu inclusive que o Consep administre o sistema de estacionamento rotativo na cidade como forma de angariar recursos para equipar as forças de segurança e minimizar os problemas relacionados ao trânsito especialmente no centro da cidade.

Guarda Municipal

O vice-prefeito afirmou que já está em andamento o processo de ampliação do efetivo da Guarda, com a realização de concurso público. A previsão, entretanto, segundo Ismar Roberto, é contratar de imediato alguns agentes (especula-se que seriam sete, para somar aos treze atuais) e formar um cadastro de reserva. Essa medida foi duramente criticada na reunião, sob o argumento de que é preciso aumentar significativamente o número de guardas nas ruas da cidade.

Um dos GCM presentes deu um depoimento mostrando a dificuldade que a instituição enfrenta. Segundo ele, todos os cursos e treinamentos feitos pelos guardas de Lagoa da Prata foram realizados por iniciativa e custeados pelos próprios agentes. A entidade ainda não tem plano de carreira e não tem como enfrentar a criminalidade sem estar armada. “Qual de vocês estaria disposto a arriscar a vida, estando desarmado, sem apoio e ainda por um salário de mil e quatrocentos e oitenta reais?”, desabafou.

Ismar Roberto disse que os agentes receberão treinamento para armamento. Entretanto, a criação da ouvidoria e da corregedoria, requisitos para armar a GCM, ainda não foram sequer criadas na cidade.

O diretor da Crediprata, Antonio Claret, defendeu uma ação mais rápida do grupo, formando uma comitiva para levar ao prefeito a demanda do aumento dos guardas e a municipalização do trânsito. “Vamos lá conversar e decidir. Se pode aumentar ou não e porque, e deixar a população saber”, defendeu.

Ao fim da reunião, foi assinada uma ata e criado um comitê de gestão de crise para continuar realizando reuniões e definido estratégias para tentar solucionar o problema.

 

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