NotíciasNotícias Policias

Acusado de agredir e levar à morte idoso de 85 anos é preso em Lagoa da Prata

Polícia soluciona crime ocorrido em 2013 em Martins Guimarães

O delegado de policia civil de Lagoa da Prata, Leonardo Mota, apresentou na manhã de hoje,14 de abril, o suspeito de latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido em setembro de 2013 no Distrito de Martins Guimarães, na zona rural de Lagoa da Prata.

O jovem de 28 anos, de nome Welington Araujo Silveira, confessou o crime e se disse arrependido. Ele foi preso em um condomínio na cidade de Santo António do Monte, onde trabalhava como porteiro.

Dinheiro e cachaça

Na época, o rapaz, que havia trabalhado como caseiro na fazenda da vítima, Altino Alves, de 85 anos, ficou sabendo que o patrão tinha dinheiro guardado na propriedade e foi até lá quando o fazendeiro estava sozinho.

“Eu tava trabalhando sim senhor pra ele e depois a gente tava muito apertado financeiramente, e o filho dele falava que estava preocupado demais com ele que ele tinha um dinheiro guardado no cofre, e depois eu tava apertado demais e fui lá e fiz isso, essa bobagem”, confessou Welington aos repórteres que compareceram à delegacia nesta terça. Ele explicou o que aconteceu:

“Eu cometi um furto e depois a gente teve uma briga corporal e a senhora (esposa da vítima) eu não cheguei a ver ela não. Tava só ele na hora e eu tinha tomado umas cachaça (sic) antes, cheguei lá meio ruim, e na hora que eu cheguei fiz esse delito e… depois fiz o furto e depois disso ele ficou no hospital, ficou lá duas semanas e veio a falecer, através de uma tuberculose”, afirmou o acusado.

 

Sem pistas, até familiares foram colocados sob suspeita

Leri Alves, filho da vítima, disse que chegou a suspeitar da mãe e dos irmãos

Leri Alves, filho da vítima, disse que chegou a suspeitar da mãe e dos irmãos

Após agredir o fazendeiro, Welington roubou uma quantia de R$ 40 mil do cofre da vítima e fugiu, vindo a se mudar para o estado do Pará, até que a situação se acalmasse. Nesse intervalo, os familiares ficaram sem entender o que tinha acontecido e quem teria sido o autor da agressão. Conforme declarou um dos filhos da vítima, Leri Alves, muitas pessoas foram colocadas sob suspeição, até os parentes mais próximos.

“Peço perdão por aqueles que foram acusados injustamente, eu mesmo suspeitei de várias pessoas, inclusive da minha mãe e do meu irmão. Em nome de toda nossa família agradeço ao dr. Leonardo e sua equipe, e o empenho de todos os policiais, que de uma forma ou de outra buscaram a verdade (…) Fico feliz de saber que não foram nossos amigos que fizeram essa barbaridade”, concluiu.

A sobrinha da vítima, Marina Alves, disse que sempre teve esperanças de que a verdade seria esclarecida. “A gente sabe que era um caso difícil de ser solucionado, porque havia muitos suspeitos, e requeria uma investigação mais profunda, mais demorada, mas finalmente a gente está aí com essa notícia e o nosso sentimento é de alívio, que a justiça se faça da forma como tem que ser cumprida”, desabafou.

Marina, sobrinha de sr. Altino, afirmou que a justiça era questão de tempo

Marina, sobrinha de sr. Altino, afirmou que a justiça era questão de tempo

Segundo o delegado, a investigação foi dificultada pela falta de testemunhas e evidências na ocasião, mas os trabalhos nunca cessaram.

Confissão e arrependimento

O autor chorava muito e pedia perdão pelo crime. Disse que pensou em se entregar mas teve medo.

O autor chorava muito e pedia perdão pelo crime. Disse que pensou em se entregar mas teve medo.

“No final do ano passado aconteceu a suspeita, que pesou contra o investigado Welington, e conseguimos concluir através de uma soma de fatores que ele seria o nosso principal suspeito. Diante disso nos fizemos uma representação pela prisão temporária dele, que foi prontamente deferida pela justiça local, e na terça-feira nós conseguimos cumprir o mandato de prisão dele em Santo Antonio do Monte e trazer ele pra delegacia de Lagoa. Ele foi interrogado por aproximadamente duas horas e no final ele decidiu colaborar com a investigação e confessar o crime com bastante propriedade, com riqueza de detalhes, o que fez com que nós acreditássemos que realmente ele era foi o autor desse crime que barbarizou a comunidade na época”, revelou o delegado.

De acordo com Mota, o acusado não tem passagens pela polícia e se mostrou arrependido durante o interrogatório. “Ele é um indivíduo que não tem passagem policial e se mostrou, no momento do interrogatório, arrependido. Agora, isso aí vai dele, eu acredito que só o fato dele ter confessado a prática do crime já demonstra um pouco de boa fé, então, nós não estamos aqui pra julgar ninguém, estamos aqui pra julgar os fatos e dar respostas, mesmo que extemporâneas, mas conseguimos solucionar esse crime que já estava incomodando a gente na delegacia e conseguimos lograr êxito”, declarou.

O acusado será colocado à disposição da justiça para responder pelo crime de latrocínio, que é quando ocorre o roubo seguido de morte da vítima. “A nossa investigação parte da linha do  latrocínio, considerando as graves lesões praticadas contra a vítima Altino, que contava na ocasião com 85 anos de idade, e com a confissão dele. Ele certamente será indiciado pela prática de latrocínio consumado, cuja pena começa em vinte e termina em trinta anos. Nós vamos entregar esse inquérito já com esse indiciamento pra Justiça, pro juiz e promotor deliberarem sobre o futuro dele”, explicou o delegado.

 

Família divide opiniões entre perdoar ou não o autor

Albertino, irmão da vítima, disse que não quer conversa, apenas justiça.

Albertino, irmão da vítima, disse que não quer conversa, apenas justiça.

Diversos familiares da vítima compareceram também à delegacia na manhã desta terça, informados sobre a prisão do até então misterioso autor. A família ainda está bastante abalada com o crime. O irmão da vítima, Albertino Alves Fernandes, diz que não perdoa o acusado. “À polícia eu tenho muito a agradecer, até não pensava que ia dar certo igual deu. Pro cidadão eu não quero nada, não quero falar nada com ele, não perdoo, não quero falar nada”.

Já o filho do sr. Altino, Leri, disse que apesar do sentimento muito triste, perdoa o acusado. “Perdôo, eu tenho apenas um desprezo muito grande por ele, sabe, mas que Deus julgue ele da melhor forma possível e a justiça”.

Familiares da vítima, sr. Altino, estiveram na delegacia onde confrontaram o autor do crime.

Familiares da vítima, sr. Altino, estiveram na delegacia onde confrontaram o autor do crime.

Veja algumas frases ditas pelo acusado Welington, que chorou muito durante sua entrevista à imprensa.

Ele estava trabalhando em Santo Antônio do Monte quando foi preso e afirmou que se casaria no próximo mês.

1042-Foto Welington editada circulos

Post Anterior

Seminário discute autismo em LP

Próximo Post

Entre pizzas, coxinhas e mortadela...

Junior Nogueira

Junior Nogueira