Bombardeio de informações negativas, culto à autossuficiência e excesso de estímulos moldam comportamentos e impactam o bem-estar coletivo.

Vivemos uma fase histórica marcada por profundas transformações tecnológicas que, por sua vez, nos despertam uma sensação cada vez mais comum: a de que estamos sendo doutrinados para o adoecimento. Há um bombardeio midiático sugerindo, a todo tempo, que a vida é uma tragédia narrada pelos fenômenos da pós-modernidade. Basta observar os noticiários para notar essa indução ao pessimismo.

O ciclo da negatividade

A repetição constante de crises, conflitos e tragédias cria um ambiente emocionalmente exaustivo. A sensação de insegurança permanente passa a fazer parte da rotina, afetando diretamente nossa percepção da realidade. Aos poucos, o medo deixa de ser exceção e passa a ser regra.

Essa exposição contínua não apenas informa, ela molda sentimentos, altera comportamentos e influencia a forma como enxergamos o mundo.

A falsa promessa da autossuficiência

Além disso, a ideia de uma autossuficiência absoluta — o viver independente do outro — é outra afirmação trabalhada em nosso inconsciente por meio de canais de TV, podcasts e pílulas de notícias. Vende-se a noção de que depender é fraqueza e que o ideal é ser emocionalmente blindado.

Mas como poderíamos aceitar o isolamento como ideal de vida, sendo nós seres essencialmente sociais? A desconexão humana cobra um preço alto. O enfraquecimento dos laços comunitários contribui para o aumento da solidão, da ansiedade e de transtornos mentais.

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Tecnologia: vilã ou aliada?

Apesar desse cenário, a tecnologia não é, por si só, a inimiga. A internet é muito mais do que as redes sociais apresentam. Ela reúne estatísticas reais, boas notícias e cobertura de fatos fascinantes sobre cultura, artes, ciência e esportes.

O problema não está na ferramenta, mas na forma como a utilizamos.

Escolher o que consumir é um ato de cuidado

Use a tecnologia a seu favor, e não como uma ferramenta que o empurra em direção à pulsão de morte. Permita que seus olhos vislumbrem o lado bom da existência e que seus ouvidos se abram para o que a vida tem de melhor a oferecer.

Informar-se é necessário. Mas proteger a própria saúde mental também é. Em tempos de excesso de estímulos, filtrar o que consumimos tornou-se um verdadeiro ato de resistência e de cuidado.

José A. Nogueira/ Teólogo e Psicanalista

José Andrade Nogueira é psicanalista associado a Sociedade Ibero Americana de Psicanálise de Belo Horizonte MG.

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