Governo interrompe repasse de vacinas contra raiva animal

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(Ilustração: internet)

O Secretário Municipal de Saúde de Lagoa da Prata, Geraldo de Almeida, informou que o estoque de vacinas anti-rábicas para aplicação em seres humanos mordidos ou feridos por animais domésticos encontra-se esgotado no município. Nesta quinta, dia 22, ele conversou com o editor do Jornal O Papel, Junior Nogueira, sobre o assunto, e disse que a situação é a mesma em todo o estado de Minas Gerais.

“Trata-se da vacina que deve ser aplicada à pessoa que sofreu um acidente – uma mordida de gato ou de cachorro, um arranhão, enfim, a pessoa que teve contato com o animal e que porventura possa levar a casos de raiva”, explica o secretário. “E são acidentes frequentes, a UPA e os postos de saúde atendem quase todos os dias casos de pessoas que sofreram mordidas de cães ou que foram arranhados por gatos. E nós temos enfrentado, não só Lagoa da Prata mas todo o estado de Minas Gerais, a falta destas vacinas que são fornecidas pelo estado”, continua.

Vacina não pode ser comprada

Outro problema é que medicamento é fornecido exclusivamente na rede pública, o que impossibilita a prefeitura de comprar a vacina em estabelecimentos particulares.

“A situação torna-se mais grave porque essa vacina não é comercializada na rede privada. Ela só é disponibilizada pelo estado e com esse desabastecimento a população está ficando sem a vacina, porque a gente solicita nas regionais e eles não tem para nos encaminhar. Inclusive até recolheram algumas doses que estavam no município para encaminhar para aqueles casos de extrema gravidade onde há suspeita de raiva no animal que possa ter causado o acidente”, revela Geraldo.

Estoque zerado

Dessa forma, Lagoa da Prata encontra-se totalmente desbastecida da vacina. Os casos de acidentes tem que ser enviados para fora ou tratados com soro, explica o secretário.

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“Nós não temos nenhuma dose no município hoje. Os casos de acidentes, nós comunicamos com a regional de Divinópolis no setor de endemias, e é avaliado se o caso é de extrema gravidade, se há suspeita de que o animal que provocou o acidente pode estar contaminado. E nesses casos é encaminhada a vacina ou nesses casos o soro para ser aplicado no paciente. Mas o que a gente tem percebido é que esse desabastecimento é geral, no estado todo. A gente não tem observado uma postura eficiente do estado para resolver essa situação”, diz.

De acordo com Geraldo, o desabastecimento já vem acontecendo desde 2015.

“A gente já vem encontrando dificuldade para reabastecer os nossos estoques desde o final do ano passado, só que agora a situação se agravou porque agora a gente não tem nenhuma dose no município, e aquelas que a gente está solicitando na regional não estão vindo”, continua.

Tratamento com soro

A alterativa tem sido a aplicação de soro antirrábico.

“Em casos graves, em vez da vacina a gente aplica o soro, que é uma medida já de tratamento, e não de prevenção. Mas em casos de extrema gravidade em que se constata ou se tem uma grande suspeita de que o animal que provocou o acidente esteja contaminado com raiva, o que a gente tem a fazer é comunicar mais uma vez ao setor de vigilância epidemiológica de Divinópolis e seguir as orientações deles, que muitas vezes resulta em encaminhar a pessoa para Belo Horizonte para um posto de vacinação que tenha alguma dose em estoque”.

Segundo o secretário, o governo não repassou ainda nenhuma previsão de regularização do estoque. “O que nos tranquiliza um pouco mais é que nós não temos casos de raiva em cães e gatos constatados em nosso município, nos últimos anos, mas isso não quer dizer que o vírus não esteja circulando no município. Nós estamos preocupados, cobrando do governo do estado providencias mais rápidas e efetivas, mas até o momento não temos previsão desse reabastecimento”, finaliza.

Dr Geraldo, secretário de saúde: “A gente não tem observado uma postura eficiente do estado para resolver essa situação”.
Dr Geraldo, secretário de saúde: “A gente não tem observado uma postura eficiente do estado para resolver essa situação”.
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