Foto: Rafael Robatine

O Saae respondeu aos questionamentos enviados pelo Jornal O Papel sobre a intervenção realizada no córrego Chico Félix, cujas obras foram embargadas nessa semana, após denúncias de ambientalistas locais.

Nesta terça, 19 de maio, o presidente da Associação Ambientalista dos Pescadores Amadores do Alto São Francisco – AAPA, Saulo de Castro e o vice-presidente Silvio Elias, deram uma entrevista à TV Lagoa falando sobre o caso e cobraram das autoridades ações de mitigação da intervenção feita em área de preservação ambiental.

Segundo a direção do SAAE, o objetivo seria fazer a limpeza do córrego para evitar alagamentos na área.

“A limpeza do Córrego Chico Felix é de inegável interesse público pois representa questão de saúde pública, na medida em que o acúmulo de vegetação impedindo o fluxo normal do córrego, favorece o alagamento em áreas próximas às residências, com acúmulo de água parada, representando risco iminente de proliferação de doenças, colocando em risco a saúde dos munícipes“, diz a nota.

O local onde foi feito o serviço, entretanto, é área de vereda, portanto já é alagada naturalmente e às margens do curso d’água não podem ser feitas edificações.

Codema

De acordo com a nota emitida pelo Saae, o Conselho de Defesa e Preservação do Meio Ambiente – Codema, foi consultado sobre a possibilidade de realizar a obra, mas à época, o órgão encontrava-se impedido de deliberar sobre esse tipo de intervenção, por recomendação do Ministério Público, uma vez que não possuía corpo técnico constituído para realizar os estudos necessários.

De acordo com o Saae, a comunicação do Conselho foi feita em maio de 2019. A declaração de dispensa de licenciamento ambiental protocolada pelo órgão é do final do mês de Setembro. O projeto técnico com as medidas compensatórias está datado de outubro/2019.

Assim, o Saae partiu para buscar as licenças na esfera estadual.

Embargo

Foto: Rafael Robatine

O SAAE afirma que pretende recorrer da suspensão da obra, alegando que todos os procedimentos legais para a intervenção foram seguidos.

“Causa no mínimo estranheza a suspensão da intervenção tendo em vista o cumprimento de todos os requisitos dispostos na Resolução Conjunta SEMAD/IEF, que em seu artigo 8º, admite a intervenção ambiental nos casos emergenciais mediante comunicação prévia e formal ao órgão ambiental. Neste sentido, em cumprimento ao citado dispositivo legal, segue em anexo o comprovante de comunicação prévia, devidamente protocolizado no órgão ambiental”, continua.

A resposta explica também que existe um prazo de noventa dias para que o Saae formalize o processo após a comunicação e que, desta forma, observadas todas as prescrições legais, irá apresentar sua defesa.

Custo da obra

Foi questionado também o valor a ser pago para a realização do serviço, contratado através de licitação. Segundo o órgão, “foram contratadas apenas horas de máquina conforme processo licitatório (…), no valor de R$ 284,00 (/hora), pelo sistema de registro de preços. Como a intervenção foi suspensa, ainda não houve o pagamento pelo serviço realizado”, informa o Saae.

Pandemia

Foto: Rafael Robatine

Em suas alegações finais, o Saae afirma que a obra tem caráter emergencial por conta do risco de água parada.

“Como dito, a intervenção para a limpeza do Córrego Chico Félix é uma questão de saúde pública, e, portanto, emergencial, sobretudo se considerarmos o estado de pandemia em que vivemos. Assim, o represamento do Córrego Chico Félix, com o acúmulo de água parada próximo a bairros da cidade, toma-se um inegável foco de proliferação de doenças, colocando em risco a saúde dos munícipes”.

A nota está assinada pela diretora Maria de Fátima Tavares

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